
Essa é a 4ª exploração que faço na biblioteca do PlayStation Portable, e em cada uma fico contente de descobrir alguns títulos que poderiam passar despercebidos mediante aos releases recentes, e sinceramente, mais famosos.
Gurumin: A Monstrous Adventure é um RPG de ação da Nihon Falcom, desenvolvedora japonesa responsável pela série de sucesso YS, franquia esta que recebeu recentemente a localização de 2 de seus episódios ao PSP através dos bem recebidos YS: Seven e YS: The Oath in Felghana. As diferenças entre os demais trabalhos da Falcom se dão inicialmente pelo ar mais infantil de Gurumin, como a artwork da protagonista Parin (imagem) denuncia; este é também o primeiro trabalho da desenvolvedora a receber dublagens completas aos personagens.
Lançado originalmente aos PCs em 2004 o título foi portado ao PSP com novidades no Japão em 2006. Em Fevereiro de 2007 chegou pela 1ª vez na América do Norte, onde recebeu localização pelas mãos da Mastiff Games.
Apesar do carisma artístico visto no título, onde alguns comparam traços aqui vistos com os de trabalhos de Hayao Miyazaki (do adorável filme de animação A Viagem de Chihiro), pude constatar até o momento que Gurumin está longe de ser um título descartável — pelo possível conceito de “infantil” igual a boring —, e 38 positivas (de 41) análises vistas no site Metacritic reforçam este sentimento.
Um dos pontos que sempre venho falando no SideQuest estão relacionados ao trabalho de localização dos títulos na América do Norte. Felizmente entre alguns dos casos, como Jeanne d’Arc (Level-5), isso realmente aparenta tornar-se uma diferença importante na caracterização dos personagens e realce da trama. Segundo leituras a Mastiff contratou um time capacitado para dar vida à protagonista Parin, seus amigos, e rivais.
O meu destaque relacionado fica para a diretora responsável pelas gravações das vozes, Kris Zimmerman, esta que já desempenhou o mesmo papel em outros projetos de renome como Dead Rising (Capcom), Tomb Raider: Legend (Eidos) e Metal Gear Solid 3: Subsistence (Konami).Os atores envolvidos podem ser vistos nesta área especial do site oficial, ainda que por nomes, e talvez até mesmo faces, acredito que permaneçam em suma desconhecidos de muitos de nós brasileiros — mas vale a leitura pelo conhecimento de seus outros trabalhos. Ainda de acordo com o site é possível visualizar um vídeo com o Making of (na aba Visual, Movies) das gravações de alguns dos atores envolvidos.
Apesar do ar carismático de Parin ela está longe de ser, digamos, uma completa doçura. Ainda assim sua personalidade improvável formulada pelo visual cute não ignora seu lado heroína, em vista que a mesma é que terá de salvar o mundo dos monstros dum príncipe malfeitor, tudo ao passo de que a própria Parin é quem consegue resgatar e posteriormente utilizar a arma lendária que é a “lança-broca”, ou drill, que carrega. Talvez não sendo uma completa infelicidade, em vista de outros focos que o título aparenta ter (como sua jogabilidade), a história possa servir apenas como um motivo simplório para a garota se aventurar por aí.
“If you’ve been following PSP for any amount of time, Gurumin: A Monstrous Adventure’s tale should be a familiar one: It’s a charming little game reminiscent of the better entries in the original PlayStation’s second-tier titles — think Threads of Fate or Mega Man Legends. It has decent, colorful graphics, a lousy English dub, and an inconsequential story that provides little more than an excuse to go on an adventure” — Jeremy Parish; 1UP Review Editor Rating: C+ (27 de Fevereiro/2007).
Apesar de estar entre as notas mais baixas (com o equivalente a 65 de 100 pontos), a análise de Jeremy Parish ainda soa favorável. Não a tomo porém com muita preocupação em vista do balanceamento antes mencionado e positivo à Gurumin (média de 78, Metacritic). Ao decorrer do texto completo de Parish se tem também conhecimento dum ponto criticado em demais análises, que seria no caso a câmera pouco flexível do título; essa mesma deficiência entretanto não deixou, por exemplo, Jeff Haynes do site IGN de entregar um 8/10 para Gurumin em sua análise.
Sendo tratado majoritariamente como um RPG de ação que de fato é, a aventura de Parin remete o visto em plataformas tridimensionais, e sinceramente esse seria um gênero, mesmo que complementar, bem cabível pelo presenciado em moção.
Ao invés de apenas apertar os botões a ação aqui presenciada pelos ataques da protagonista utiliza-se também de combinações com certos movimentos no thumb stick, ou também conhecido como analógico pouco confortável do PSP, que de certo adicionam uma variação no que em outros é padronizado.
“That may sound dull, but thanks to a solid fighting system the dungeon sections are actually rather enjoyable. Playing like a combination of Zelda and a super-scaled back Street Fighter, Parin can string together combo attacks with her drill and unleash special attacks with some deft button-pressing and stick-spinning.
Encounters may often fall back to mashing the X button, but dodging and mid-air juggling become more important as the game progresses and enemies get tougher.” — Ed Fear; Pocket Gamer Review Score: 8 (24 de Maio/2007).
Como antes mencionado, alguns jogadores possam ter a falsa ideia de que por Gurumin ser assim todo bonitinho ele é uma aventura branda; a citação acima reforça o fato grafado em outros textos de que os duelos, principalmente contra chefes, garantem desafio aos jogadores mesmo no nível Normal. Entre extras pós conclusão estão também novas dificuldades, estas que possivelmente requeiram maestria nos controles.
A parte que aqui remete Zelda corresponde majoritariamente às dungeons que Parin atravessa e as resoluções de seus puzzles. A arma da personagem também é responsável por algumas possibilidades bem interessantes, como a combinação elemental para, por exemplo, o congelamento da água, garantindo consecutivamente a travessia pela mesma. Nas cavernas também existem locais secretos a serem descobertos com o uso da drill-lance (como gosto de chamá-la), o que garante também uma exploração a mais durante as aventuras.
Tratando-se do desenrolar da trama há citações de muito backtracking, que seria o retorno em áreas já visitadas pelos jogadores. Não parece denegrir tanto assim o título, pois este como mencionado traz um sentimento de, além de ser um RPG de ação, plataforma 3D — logo, algo do tipo não deveria ser visto de forma tão estranha aqui.
“Backtracking and occasionally obscure plot-advancement keys were a real bummer in Falcom’s other recent RPG forays, so it’s a bit of a mystery that it didn’t learn its lesson from those games and find a more natural way to advance the story here. In light of these tired-out conventions to extend gameplay, it’s a bit of a surprise that the developer absolutely nailed incorporating minigames into the story. There aren’t many of them, but the minigames you do come up against are both fun and addictive, and more importantly, their presence doesn’t feel forced or arbitrary.” Tom Magrino; GameSpot Review Score: 8 (23 de Fevereiro/2007).
O que salva a questão do retorno, segundo outros exaustivo, à áreas já visitadas, é, segundo Tom, a adição, ainda que pouca, de minijogos incorporados na própria história, estes que não parecem nem forçados ou arbitrários.
Em suma não acredito que minha empolgação pelo conhecimento mais profundo de Gurumin: A Monstrous Adventure resultará em decepção ou descontentamento, ao contrário, acredito que a leveza da trama, sua jogabilidade, e os desafios que se tornam uma antítese ao que poderíamos esperar de tanto carisma gráfico, compreendam uma diversão muito válida!
Plus:
- Entrevista completa com a publisher Mastiff e a dubladora de Parin, a atriz Amber Hood [Siliconera].
- Gurumin: A Monstrous Adventure por U$ 14.57 [CD Universe].
- Site oficial da Mastiff Games.
- SideQuest anterior: Monster Kingdom: Jewel Summoner [Gaia, PSP].
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