
Que sua arte é o clichê entre os principais assuntos sobre a Vanillaware, fãs de RPGs sabem. Entretanto este padrão também tem forte impulso chamado George Kamitani, fundador, presidente e principal designer da desenvolvedora: seus interesses quando num novo projeto sempre tendem primeiramente ao lado visual.
Apesar de sua fundação ter ocorrido em 2002 sob o nome de “Puraguru”, a equipe que viria a adotar em 2004 o sabor vanilla já fazia de sua bidimensionalidade um padrão pouco comparável desde o Sega Saturn com Princess Crown (1997). Este mesmo time, formado atualmente por 21 pessoas, e que antes trabalhava para a Atlus, nasceu num no período 32-bit, mostrando a consoles como o PlayStation, cujo foco era levar o 3D às casas, que há uma mágica nas 2Dimensões impossível de ser superada.
Vanillaware “Desu”
Fundador, diretor, designer, escritor, planejador; esta múltipla faceta de Kamitani denota seu completo comprometimento ao trabalho. Em algumas entrevistas realça-se o forte sentimento de que, mesmo numa realidade bem diferente de grandes empresas, enquanto estiver atuando neste ramo sua vida estará completa.
George durante uma sessão de autógrafos na E3 2009 organizada em conjunto com a Ignition Entertainment, publisher de Muramasa: The Demon Blade (Wii)
Os pontos citados se mostram reais quando o mesmo relata que praticamente todo capital gerado por Odin Sphere (PS2, 2007) fora usado para garantir um novo e grande projeto, o que viria a ser no caso o RTS bidimensional GrimGrimoire (PS2, 2007).
Os demais membros da equipe são, ainda segundo ele, também formados inteiramente por artistas, estes que, sem sombra de dúvidas, são também multifacetados nos desígnios internos da própria Vanillaware.
Mas tratando de Kamitani, exclusivamente, sua vida na indústria obviamente já havia começado antes do projeto que envolvia a publisher Atlus, Princess Crown e o Sega Saturn. Tem-se notícia de que um dos pontos principais desta carreira possa ter sido iniciada através de seu auxílio no planejamento dum dos títulos da Capcom junto a sua placa de Arcades CPS-1. Trabalhou também na Racjin e Square Enix, esta última sua derradeira casa antes de lançar independência com a Puraguru/Vanillaware.
Os caminhos primordiais percorridos por Kamitani mostrarão adiante que, em suma, sua ligação com os RPGs não era menos que uma constante.
- Saturday Night Slam Masters (Arcade)
Lançado em 1993, Muscle Bomber – Body Explosion, nome original japonês, fora a representação da Capcom para com o gênero da luta-livre na época. O Arcade tinha como base a placa CPS-1 da desenvolvedora de Osaka e fora um dos poucos títulos nascidos na mesma.

No Ocidente seu nome é mais conhecido graças aos ports criados para o Super Nintendo e Mega Drive. Outro ponto é que a artwork original neste release caseiro teve os traços de Tetsuo Hara, responsável pelo mangá Hokuto no Ken (ou Fist of the North Star no Ocidente), abdicados, padrão da época se tratando da preocupação na aceitação entre as diferenças culturais. Os Arcades e suas propagandas, por sua vez, tiveram pela Capcom norte-americana a arte original mantida.
Possivelmente uma boa opção na época aos fãs do gênero, principalmente pela possibilidade de até 4 jogadores se enfrentarem nos Arcades.
A participação de George Kamitani aqui é conhecida como de planejador auxiliar.
- Dungeons & Dragons: Tower of Doom/Shadow Over Mystara (Arcade)
No mesmo ano, contudo já utilizando-se da placa superior CPS-2, a Capcom lançava seu novo beat ‘em up fantasioso. Com os direitos da famosa série D&D, um trabalho que já vinha sendo feito, ou seja tratando-se desta mesma temática, desde outros como Knights of the Round (Arcade/SNES)fora refinado.

Ambos os títulos, além de suportar até 4 jogadores, abrigavam muitas implementações que fãs de RPG sentiriam-se confortáveis em lidar, algo que os designers, incluindo aqui Kamitani, certamente planejavam desde o primeiro momento. Evolução por níveis, itens mágicos (com direito a invocações), além de caminhos opcionais para a conclusão da jornada o tornavam peculiar entre o que estava-se acostumado para a época.
Fora compilado e lançado só no Japão ao Sega Saturn em seu final de carreira (1999), mas além disto com nenhuma adição.
Até hoje é um dos beat ‘em ups dos anos 90 com melhores gráficos.
- Fantasy Earth: The Ring of Dominion (PC)
A Square Enix tentou mas não conseguiu sustentar o plano pago desta sua empreitada no mundo dos MMORPGs. Dada a falta de interesse, ou rentabilidade, o título acabou indo parar nas mãos da Gamepot, publisher que aboliu a necessidade de pagamento e aderiu o modo Free-2-Play ao jogo, garantindo assim um maior interesse em seus locais de lançamento na Ásia; na América do Norte o título infelizmente não conseguiu se destacar.
Possui grande foco no embate entre reinos e traz um PvP entre clãs de até 50 jogadores.

Fantasy Earth também marcou o a fundação da “Puraguru” e o início da cooperação entre Kamitani, cujo papel aqui exercido fora o de diretor de arte, e Hitoshi Sakimoto, o famoso compositor de obras como as ouvidas em Final Fantasy Tactics (PS1), ou mais tardar no próprio Odin Sphere.
3 destes 4 títulos já mostravam claramente o caminho que Kamitani gostaria de seguir, e este definitivamente era o do fantasioso. Os trabalhos seguintes abordaram muitos temas que iam desde a mitologia nórdica, como visto no próprio Odin Sphere, até uma mais caseira através de Muramasa: The Demon Blade. Castelos, dragões, espadas e magias são elementos da Vanillaware que estão sempre presentes para aqueles que os buscam.
Elos
O interesse gerado pelo trabalho da Vanillaware com o longo dos anos chamou a atenção de publishers conhecidas por muitos, e que por sinal já foram citadas no decorrer deste texto. Abaixo um breve resumo cronológico de títulos nascidos entre estas parcerias.
- Princess Crown (1997, Sega Saturn)
É majoritariamente conhecido como o predecessor espiritual de Odin Sphere.

Entre os envolvidos haviam 3, incluindo o próprio Kamitani, que viriam a permanecer juntos na futura fundação da Vanillaware.
Mesmo sendo um RPG desenvolvido pela própria Atlus, é ele quem de fato exala muito do futuro independente visto no PS2 e Wii.
- Odin Sphere (2007, PS2)
Agora já estabilizada a Vanillaware mais uma vez retorna em conjunto com a Atlus, esta que aqui atuou como sua publisher nos mercado japonês e norte-americano. Na Europa fora a própria Square Enix quem obteve os direitos de publicação para Odin Sphere.

Hitoshi Sakimoto retorna ao encontro de Kamitani e compõe a OST do título, isso unido aos seus outros amigos e membros da Basiscape – sua própria compania musical.
- GrimGrimoire (2007, PS2)
Uma fulga de seus próprios padrões conceituada sob o clássico StarCraft: desta vez o gênero abordado é um RTS, porém bidimensional.

O trabalho teve envolvimento de sua publisher Nippon Ichi e viu releases internacionais. Hitoshi Sakimoto é mais uma vez o compositor chave, assim como George Kamitani atua novamente sob o cargo de diretor de arte.
- Kumantachi (2008, DS)
Infelizmente este fora um título que nunca viu e jamais verá o sol ocidental, pois foi comentado ao próprio presidente da Vanillaware que diferenças culturais poderiam prejudicar o desempenho do mesmo mundo afora.

Teve como publisher a Dimple. Há também envolvimento dum grupo de desenvolvedores indies, que no Japão produzem os conhecidos Doujins.
- Muramasa: The Demon Blade (2009, Wii)
A Basiscape e seu time de compositores Masaharu Iwata, Mitsuhiro Kaneda, Noriyuki Kamikura, Kimihiro Abe, Yoshimi Kudo, Azusa Chiba e claro, Hitoshi Sakimoto, retornam para criar mais uma trilha sonora.

No Japão a publicação ficou a cargo da Marvelous Entertainment, enquanto que na América do Norte a Ignition Entertainment quem fora responsável, assim como a Rising Star Games para a Europa.
Kamitani fora aqui diretor e Yoshifumi Hashimoto atuou de produtor.
- Grand Knights History (2011, PSP)
Um grande salto na carreira da desenvolvedora. Este seu novo projeto não só mudará mais uma vez o gênero foco da Vanillaware, como também almeja tornar-se único no quesito conectividade no portátil: trará personagens personalizáveis num RPGs de turnos e sem limite de jogadores, ou seja online.

Tomohiko Deguchi é o diretor do projeto, este tão significativo que até mesmo a Sony o cogitou como impossível quando apresentado.
Hitoshi Sakimoto é mais uma vez a cabeça por traz das composições.
Questão de expressão

Na Vanillaware acredita-se que as duas dimensões representam melhor alguns aspectos que de outra forma, ou seja através da tridimensionalidade, não seria possível. Kamitani também já relatou que há “muito potencial a ser desvendado no 2D”.

Mesmo diante de tanta tecnologia em auxílio da arte, a desenvolvedora continua dando os primeiros passos num projeto de forma habitual, ou seja, à mão. Contudo, há sim a existência duma própria engine especial criada para facilitar a concepção e produção de seus jogos 2D.
HD ou Online?
Apesar de hoje estar obviamente focada no lançamento de Setembro para Grand Knights History, a Vanillaware tem se aventurado testando a Alta Definição, ou HD; até hoje a empresa, apesar de rumores envolvendo versões digitais de Odin Sphere e Muramasa, ainda não teve um título sequer ao PS3 ou mesmo X360.
Tratando-se até mesmo dum possível projeto 3D George Kamitani já expressou grande interesse dele e demais membros numa continuação para Fantasy Earth, ou qualquer outro título que os coloquem novamente no cenário dos MMOs.
O certo é que de uma forma ou outra, o foco da Vanillaware continuará sendo sua arte, o que nós, fãs desses deleites visuais, agradecemos imensamente.
P.S.: O sabor da vanilla está apenas começando a ser degustado…
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jvhazuki publicou esta postagem