
Pai de Final Fantasy Hironobu Sakaguchi saiu da, na época ainda, Squaresoft após o bastante controverso filme de 2001 baseado na franquia, aquele que não lembrava nem um pouco os clássicos episódios do RPG ao qual milhares de fãs já estavam acostumados. Sua saída porém não quis dizer o fim de seu envolvimento com os jogos, muito pelo contrário, acabou criando seu próprio estúdio: Mistwalker. Sem surpresas Sakaguchi desde então só tem criado RPGs, como Lost Odyssey e Blue Dragon, ambos do Xbox 360, porém The Last Story marca seu retorno além de tudo como um diretor, posto o qual não tomava desde FFV, ou seja, há 19 anos atrás!
Outro marco se tratando do RPG exclusivo do Nintendo Wii está no título do mesmo; The Last Story evoca obviamente uma relação com o principal RPG da hoje Square Enix, e isso tem motivo: Hironobu Sakaguchi desejou durante o desenvolvimento expressar uma motivação sem precedentes, como se fosse, novamente, uma última aposta antes dum fim… fim este, ao menos desta vez, simplesmente figurativo. É, além de outros detalhes, um esforço o qual já se torna positivo em vista duma clara paixão empregada e também na forma carinhosa como muitas vezes o mesmo já direcionou-se ao RPG.
O palco da aventura gira em torno de Ruli Island e um grupo de mercenários. A sociedade além da família real e governante só gera respeito aos cavaleiros, uma classe estável e digna o bastante para chamar a atenção de Elza e seus companheiros — possuem o desejo de se tornarem tão respeitados quanto e com isso garantir uma vida melhor, ou seja, almejam ser um dia cavaleiros. Até que o isso ocorra, porém, Elza, Quark, Seiren, Yuris, Jackal e Manamia continuarão aceitando os diversos serviços aos quais são contratados afim de, ao menos, sobreviver neste mundo.
Ambientado num cenário medieval o título conta como mistério e principal foco a razão de justo Elza, protagonista e principal personagem controlável durante o desfecho principal, ser capaz de utilizar um poder que lhe fora dado enquanto aventurava-se numa missão. Aliás o mesmo poder de Elza é o responsável por tornar a mecânica de The Last Story mais inédita em vista de que através dela, usada pelo comando “Gathering”, o personagem pode chamar atenção de qualquer inimigo em tela, contornando situações difíceis ou dando chance de ataque para personagens que por sua vez utilizam-se da magia e necessitam de tempo para conjurá-la.

Entretanto há o envolvimento de Elza e demais com a realeza de Ruli Island, o que condiz também com o conhecimento da nobre Kanan, personagem de grande importância e também sobrinha do governante Arganan. A jovem sonha em explorar o mundo, e pelo visto conseguirá através de imprevistos ocasionados pela aparição de Zangurg, líder duma raça inimiga da humanidade. Apesar de simples a trama aparenta ser envolvida por, de fato, muito mistério.
Mesmo sendo um RPG de ação ainda há espaço para comandos que imobilizam os confrontos afim de possibilitar estratégias elaboradas, ou seja, não é apenas bater por bater com os melhores equipamentos. Cenários também geram possibilidades estratégicas pois podem ser utilizados como armadilhas; ex.: Elza pode solicitar que um mago em seu grupo lance uma magia numa ponte a destruindo e consigo inimigos. As magias citadas deixam em campo círculos que podem ser usados por Elza e os outros como buffs temporários em, por exemplo, agilidade.
A furtividade em alguns momentos também é evidenciada, como mostrado no vídeo acima, comprovando que que, ainda que possível torná-lo um hack & slash, o RPG dá capacidades necessárias para se jogá-lo na melhor forma: cuidadosa e estrategicamente, porém ainda utilizando-se com isso da ação.
Apesar do foco single-player episódico, dividido por capítulos que desvendam as aventuras de Elza e seus companheiros, The Last Story trará multiplayer online capaz de abrigar de 2 a 6 jogadores num modo cooperativo contra chefes ou mesmo num modo PVP, ou jogador contra jogador na tradução da sigla em inglês. Enquanto isso seja indiferente para proveito do melhor do jogo, há chances dos opcionais tornarem-se atrativos ao passo que podem garantir itens para se utilizar na aventura principal. Ambos os modos online permitirão uso de qualquer um dos personagens principais, porém em Raid, ou co-op, ainda que haja balanceamento no nível dos jogadores, os equipamentos e outros parâmetros serão influentes nos confrontos; em Versus as partidas são equivalentes para todos, mesmo nível e habilidades, colocando o peso do diferencial então sobre sua capacidade como jogador com o personagem então escolhido.
Alguns elementos atípicos de RPGs japoneses clássicos vêm ganhando mais espaço com o tempo e The Last Story carrega um muito visto nos tidos WRPGs: a personalização dos personagens principais é toda refletida no visual dos mesmos, que por sua vez é também mostrada durante as cutscenes que utilizam-se dos gráficos in-game; as vestimentas podem ainda ganhar novas cores, abrindo um leque maior para singularidade. Em outro ponto a passagem pelos cenários, ainda que feita inicialmente de modo comum, ou a pé, dará posteriormente a chance de locomoção de forma dinâmica e rápida, bastando selecionar o local já conhecido para se deslocar num instante.
Ponto forte, principalmente voltado aos fãs do mesmo, está na participação de Nobuo Uematsu como compositor de todas as faixas do RPG. Seu envolvimento, que também não surpreende ao fato do “Black Mage“ ser o principal responsável pelas faixas de Final Fantasy, já garante expectativa ao passo do ouvido na vocalizada Toberu Mono.
Entre comentários é dito que a atual geração carece de RPGs significativamente memoráveis como os clássicos dos anos 90. Essa carência sentida possivelmente tem maior relação com os RPGs japoneses em vista de que, no passado, os clássicos em questão eram de dominância nipônica.
Ainda assim há busca por contornar padrões não tão apreciados nos dias de hoje, Xenoblade Chronicles é exemplo máximo; The Last Story por sua vez trilha para dar destaque novamente ao mercado oriental como desenvolvedor, e com o esforço empregado por Sakaguchi, em vista de sua direção apaixonada como se fosse uma última, e sua importância no mercado, há alta expectativa.
Pelo momento no Ocidente o título continua exclusivo aos europeus, mas pode ser que assim como Xenoblade o mesmo veja release norte-americano num outro momento. Outra observação: nomes citados podem e deverão ser diferentes da versão localizada.
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jvhazuki publicou esta postagem