A happy song

Apesar duma longa carreira iniciada há mais 50 anos atrás meu contato com Os Muppets foi bem tarde nos anos 90 decorrente da exibição de Muppet Babies no SBT, um cartoon que por sinal adorava assistir e cuja música tema nunca esqueço. Todavia tratava-se dum desenho e não do programa com os fantoches na vida real, a qual confesso nunca ter tido o devido contato — ao menos não até hoje, quando finalmente fui assistir ao último filme dos personagens. 

Ok, é impossível também negar que minha injeção de ânimo se deu especialmente na participação dum dos protagonistas e também co-escritor Jason Segel, ator que possui um carisma muito grande em seus trabalhos. Ele é também um dos membros de How I Met Your Mother, série que sou também fã. 

Sendo uma comédia dos personagens em questão a aventura e desfecho da trama são, obviamente, bastante sutis e voltada ao público familiar. É certo não categorizar Os Muppets como um filme exclusivamente de crianças, ainda que estas devam ficar muito mais encantadas pelo colorido e o caricato dos personagens e suas ações desengonçadas, as músicas e dança. Há tranquilamente espaço para um tio de 24 anos curtir bastante também, seja pelas participações especiais de atores que nós, adultos, conhecemos bem — como Jack Black, Neil Patrick Harris, Whoopi Goldberg, entre outros —, ou principalmente as referências que os pequenos podem deixar passar por indiferença do que ainda desconhecem.

Walter é um grande fã dos Muppets, estes que estão num limbo há bastante tempo encontrando-se inclusive esquecidos pela população, e junto de seu irmão Gary (Jason Segel) e a namorada do mesmo, Mary (Amy Adams), planejam viajar para Los Angeles e, entre outras coisas, conhecer o local onde os personagens se apresentavam. Quando Walter descobre a situação do local, bastante desgastado e esquecido, vai em busca de Kermitthe Frog (ou Caco, o Sapo no Brasil), que mesmo desanimado encontra no novato Walter, e no trio ao todo, forças para reagrupar o disperso grupo formado por outros e por Miss Piggy, uma personagem bastante cativante. Na medida em que lutam ao retorno Walter descobre que Tex Richman (Chris Cooper), um empresário endinheirado, pretende comprar o mesmo local dos Muppets, mas não para torná-lo um museu dos personagens como imaginara-se, mas sim demolir e perfurar em vista que há uma possível mina de ouro em forma de petróleo no mesmo recanto. Agora a única chance de contornar tudo é juntando 10 milhões de dólares para recuperar posse do local. O foco dos Muppets não deixa de dar tratativa do romance entre Gary e Mary, que é um pouco abalado pelo prestativo, compassivo e preocupado irmão mais velho de Walter.

Ainda que as músicas tenham sido também dubladas em sua maioria, sendo a voz de Segel responsabilidade do querido Alexandre Moreno, elas permanecem carismáticas, principalmente Life’s A Happy Song que é cantada e também coreografada logo nos primeiros minutos de filme pelo ator. Algumas modificações em vista do entendimento ao público brasileiro precisaram ser feitas, mas tudo bem. Segel, por sinal, mostra-se bastante à vontade no filme, assim como o cast ao todo pra ser sincero, porém a parcela “Peter Pan” do ator não nega-se em momento algum, e esse seu lado já foi visto também no final de Forgetting Sarah Marshall (2008). 

Desperta a criança aos que ainda não esqueceram da infância, estes que, duma forma corajosa, em vista da seriedade e do mundo propriamente em que vivemos, ainda sabem se utilizar da ingenuidade e inocência para se divertir.

+

  1. jvhazuki publicou esta postagem
Comentários do blog desenvolvidos por Disqus